essa_festa_8267%20-%20C%C3%A9u%20Vermelh

ENTRE AS VIVÊNCIAS E OS PERTENCIMENTOS

 

O campo de visão: a vida.
O material para a construção da montagem: a vida.
O cenário: a vida (cidades, povoados e vilarejos).
Os atores: a vida (todas as pessoas e coisas animadas e inanimadas).
DZIGA VERTOV

    Não é possível falar de si sem considerar os espaços que ocupamos em sociedade. A subjetividade dos corpos LGBTI+ são diretamente afetadas pelas relações sociais, econômicas e culturais. Pensando nisso, a Mostra Brasil Documentário traz uma seleção de filmes que contemplam um olhar que tencionam as singularidades dos sujeitos com o seu lugar no mundo. São relatos de vivências como forma de resistência em uma sociedade que cobra da população LGBTI+ constantes ponderações acerca de suas existências e uma contínua busca por espaços de pertencimento.

    Pensar os sujeitos é refletir sobre os espaços. Neste primeiro eixo curatorial que nomeamos como “Espaços de pertencimento” procuramos reunir filmes que ativem o sentimento de fazer parte de algum lugar. Aqui, o cinema documentário opera como forma de registro das relações entre sujeito x espaço, instigando em nós uma reflexão acerca do que é visível e invisível na comunidade LGBTI+ com base em suas experiências de ocupação, resistência, trânsitos e celebrações que perpassam locais de afeto e enfrentamento. São obras que ressaltam relações íntimas e coletivas, são histórias distantes que confluem na busca de um pertencimento sociocultural.

    O segundo eixo curatorial que batizamos como “Minha vivência é resistência” é formado por filmes que trazem narrativas que exploram as vivências de sujeitos que, através do audiovisual, produzem retratos de resistência pelo interior de suas existências. Entendemos a importância dos documentários em primeira pessoa como dispositivo para se aprofundar relevantes temas sociais de forma pessoalizada. Através dessas subjetividades, o conjunto de filmes que apresentamos aqui busca atravessar realidades, revelando os olhares que formam o mosaico de experiências presentes no cotidiano do brasileiro com recorte da diversidade sexual, sejam elas do norte ou nordeste, do sul ou do sudeste.


    Compõem essa mostra filmes que trazem um mosaico de experiências que enriquecem vivências através de narrativas e estéticas que conectam a linguagem audiovisual com questões que tocam o cotidiano do LGBTI+ brasileiro. Vivências invisibilizadas e muitas vezes fora do alcance até mesmo para pessoas que fazem parte de nossa comunidade, vista a diversidade de olhares que nos une. Aqui, esses olhares se encontram e constroem relações de intervenção, resultados das lutas pessoais de atores sociais que lutam por uma realidade mais igualitária.
 

LAÍS LIMA, curadora.

RAFAEL RIBEIRO, curador.