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ATRAVESSANDO LINGUAGENS E AFETOS

 

     Afetar-se e buscar pesquisas no corpo, na arte da criação do si, do cinema. Curadoras mulheres, uma cis e outra trans, buscam nessa mostra ocupar territórios, como lésbica e-ou como travesti, mas também expandir o olhar ao máximo para as outras letras da sigla da diversidade.

     Pensar em um queer latino americano, é propor um cinema menos QUEER e mais CUIR, menos RuPaul e mais Hija de Perra. Talvez seja sobre afogarnos em nosso imaginário coletivo TLGBQIA+ e (re)criar nossos mitos, nossas heroínas, nossas possibilidades de vida e de (re)existência.

Tomar posse da arte (elitista) do cinema com nossas corpas e devir artista, está mais ligado a construir novas possibilidades de (re)nomeações, sem necessariamente ser fluente em inglês e dobrar a língua pra dar conta da palavra Queer: é sobre valorizar outras tantas que, assim como nos países de língua inglesa, aqui causam espanto e aversão, como a auto declaração de ser Viado, Sapatao ou Travesti. O Eixo 01 da mostra de filmes de ficção, intitulado Queer dos Trópicos, busca então trazer variadas pesquisas ligadas as diversas vivencias e performatividades de orientações sexuais e identidades de gênero, pesquisando-se também, nos filmes aqui trazidos, múltiplas possíveis construções do que pode ser a linguagem cinematográfica.

 

     O segundo eixo, intitulado Afetos, trata das relações afetivas, ou “curtas do afeto”, e são filmes cujas narrativas trazem um olhar sensível e honesto sobre a forma de se relacionar dessas pessoas. A humanização de personagens e relações LGBTQI+ no audiovisual é algo relativamente novo. Se observarmos na história, a narrativa do personagem depravado que morre no final é sempre presente, afinal ser membro da comunidade não era algo bem visto pela sociedade. Felizmente muita coisa mudou desde então, mas ainda é de extrema importância valorizar e destacar obras que tragam histórias ficcionais LGBTQI+ múltiplas, ricas em experiências de pessoas reais, que exalam suas subjetividades através da tela. Quantas relações afetivas LGBTQI+ existem nas dificuldades, na pluralidade dos corpos, da cor, da idade, da classe social? Os filmes que trouxemos nesse eixo nos mostram que é possível viver e existir. São narrativas que entrecortam questões de sexualidade e gênero, corpos e desejo, música e libertação, numa constante troca entre sujeitos que deixam-se sentir e também provocam, pois assim vivemos e existimos apesar de e através de tudo, deixando para trás um legado de luta, resistência e amor.

 

IASMIN CONI, curadora.

MARIA LUCAS, curadora.